Hoje os 74 anos de nascimentos de Ana Cristina Cesar
Hoje dia 2 de junho de 2026, é o dia que Ana Cristina Cesar completaria os seus setenta e quatro anos. Ela que nasceu no Rio de janeiro e criou-se entre Niterói, Copacabana e os jardins do velho Bennett. E ela que experimentou o jornalismo, trabalhou na Record, na Globo, na Isto é , na Revista Veja, além de escrever em revistas e jornais alternativo, Viajou pelo mundo saiu na antologia da Heloisa Buarque, publicou pela Funart pesquisa sobre literatura e cinema, fez mestrado em comunicação. Descobriu São Paulo, com o seu olhar poético.Foi ela uma crítica literária, professora de Ingles, jornalista e poetisa de primeira.
E setembro de 1983, lançou o seu último livro, "a teus pés" outros que vieram foram de seus texto pós mortem. E dia 29 de outubro de 1983 ela vai suicidar-se. Como ela dizia é dificil ancorar um navio no Espaço. Ela saltou do 7andar de um apartamento do edificio de Copacabana.
E destaquei um fragmento de sua escrita de seu último livro página 87, "My Dear,/ Chove a cântaros. Daqui de dentro penso sem parar nos gatos pinados. Mãos e pés frio sobre o controle. Noticias imprecisas, fiquei sabendo. É de propósito? Medo de dar bandeira ? Ouça muito Roberto: quase chamei você mas olhe pra mim mesmo etc. Já tirei as letras que você me pediu.
O dia foi laminha. Célia disse: o que importa é a carreira, não a vida. Contradição difícil. A vida parece laminha e a carreira é um narciso em flor.
O que escrevi em fevereiro é verdade mas vem junto drama de desocupado. Agora fiquei ocupadíssima, ao sabor dos humores, natureza chique, disposição ambígua (signo de gêmeos).
Depois que desliguei o telefone me arrependi de ter ligado, porque a emoção esfriou com a voz real. Ao pedir a ligação, meu coração queimava. E quando a gente falou era tão assim, você vendo tv e eu perto de bananas, tão sem estilo (como nas cartas). Você não acha que a distância e a correspondência alimenta uma aura ( um reflexo verde na lagoa no meio do bosque)?
Penso um pouco no Thomas. Passou o frio dos primeiros dias. Depois, desgosto: dele, do pau dele, da politica dele, do violão dele. Mas não tenho mexido no assunto. entrei de férias. Tenho medo que o balanço acabe. O Thomas de hoje é muito mais velho do que eu, não liga mais, estuda, milita e amor na sua Martinica de longos peitos e dente perfilados, tanta perfeição.
Atraída pelo português de camiseta que atendeu no Departamento Financeiro. Era jacaré e tinha bigode de pontas. Ralhei com tesão que me deu uma dor puxada.
Só com a visita de Cris que me dei conta que batizei a cachorra com o nome dela. Tive discreto repuxo desembaraço quando gritei com Cris que me enlameava o tapete. Cris fugiu mas Cris não percebeu (julgando talvez homenageada). Gil por sua vez leu como sempre nos meus lábios e eclatou de riso típico umidificante.."
Porém na página 23 consta "Atrás dos olhos das meninas serias" "Mas poderei dizer-vos que elas ousam? Ou vão por injunções muito mais sérias, lustrar pecados que jamais repousam?"
Conclusão - Observo que uso esse expediente apenas como homenagem a essa moça que aos 31 anos de idade, ligou para um amigo dizendo estar emparedada e que precisava voar e saltou do prédio. Ana Ciristina Cesar é filha do sociólogo Valdo Aranha Lens Cesar e Maria Luiza Cruz, o Valdo que todos nós conhecemos que foi preso pelo DOPS e ficou incomunicável por quase uma semana, em fevereiro de 1967. E quando da publicação do Ato n.5, escondeu por três meses num sitio em Rezende juntamente com Lysâneas Maciel de Luiz Eduardo Vanderlei conseguindo escapar da prisão mais uma vez. E ele que faleceu em 3 de junho de 2007. Porém voltando a história de Ana Cristina para uns ela estava depressiva, para outros ela poeticamente levou a sério a sua poesia, e a sua morte foi o registro que eternizou-se num ato, de seu suicídio.
O importante que essa moça de apenas 31 anos que eternizou na sua simplicidade, cultura e beleza. Se tivesse em vida estaria completando os 74(setenta e quatro anos) anos neste Século XXI, neste ano de 2026. Nós que vivemos entre 2019 a 2022 anos de martírios de neofascistas, de uns aloprados que ocuparam o poder político no Brasil. Tão triste, quanto a saudade que sentimos AC, que voo para a eternidade. E deixou milhares de olhos lacrimados, por uma face austeria ou doce, mais chorosa.
A história de Ana Cristina Cesar, é a história de suas obras como, "Cenas de abril", 1979, Correspondencias completas de 1979, Luvas de pelica de 1980 e a teus pés de 1982 e depois Ineditos e dispersos 1985 após sua morte novos seletos feito por Armando Freitas filho que era o seu amigo mais próximo e essa seleção foi feita em 2013, quero lembrar que em 2016 ela foi homenageada pela festa Literária de Parati. A saudade é como um barco perdido no mar ancorado hoje no céu, nas águas de seus olhos.
Manoel Messias Pereira

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