Em 4 de junho de 1972 O Movimento de Solidariedade Mundial libertava a ativista do Movimento Negro norte americano Angela Davis. Aquela professora do Povo, que chamavamos de um Anjo Doce.
Um dia em Londres, Mick Jagger e Keith Richard cantaram "Tem um anjo doce e negro,/ tem uma pin-up,/Tem um doce anjo negro pregado na parede/ e não é nenhuma cantora e nem uma estrela/ uma garota esta presa e não há ninguém para libertá-la".
Ao mesmo tempo John Lennon e Yoko Ono cantava "Irmã você é a professora do povo/ Irmã sua palavra vai longe/Existem milhares de raças diferentes/ mas todos nós dividiremos o mesmo futuro no mundo/eles te deram a luza do sol/ Te deram o mar/ Te deram o café o chá menos a igualdade."
O que essas grandes estrelas do rock estava dizendo, era de uma moça, chamada Angela Davis, uma marxista, uma professora de filosofia, da Universidade de Santa Cruz, que estava localizada entre São Francisco e Monterey na Califórnia.
E a importância desta mulher negra, professora de filosofia que Jagger e Richard chamava de anjo doce negra, e que estaria presa, era chamando a atenção desta juventude na qual ouviam -os. Assim como Lennon e Yoko que proclamava e chamava de irmã, de professora. O que pra mim chamo-a de camarada.
A disposição de Angela Davis estava na luta pelo direito das mulheres e contra o processo de discriminação racial em que todos estavam submetidos nos anos 60 e o principio dos anos 70. E por sua por sua atuação e militância em 18 de agosto de 1970, Angela era a terceira mulher a integrar uma lista de fugitivos mais procuradas pelo FBI e a acusação era de conspirar, sequestrar e por uma suposta ligação com tentativas de fuga do Tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marim em São Francisco.
Porém desde cedo na sua adolescência e depois adulta mais jovem ela viu e vivenciou o racismo e suas ações brutais uma organização formalizada no Alabama, em que lincharam negro na rua, invadiram Igreja onde negros rezavam seres humanos afro estadunidenses e viu quatro adolescentes morrerem.
Angela filiou-se ao SNNC organização anti-racista fundada por Stakely Carmichael como a principal resistência pacífica. Organizou grupos de Estudos sobre a questão racial e o seu grupo foi descoberto e ela passou a ser perseguida. Aos 19 anos ela foi para a Universidade de Brandeis, um local em que a discussão racial estava bem a frente de outras universidades. E ali ela conheceu o professor Herbert Marcussi, filósofo alemão da escola de Frankfurt, que havia fugido para os Estados Unidos exatamente por sua raiz judaica. Mas Angela Davis assim como Carmichael filiaram aos Pantera negras e em 1969 por estar filiada aos panteras negras e ao Partido Comunista dos Estado Unidos foi demitida da Universidade da Califórnia onde lecionava filosofia.
Neste mesmo período a juventude em Paris inspirada nas palavras do existencialista Jean PaulSartre, que dizia que era proibido proibir, permitiu a todos os estudantes iniciar as suas contestações em relação ao Estado e a própria educação. Enquanto que astros das maiores bandas como Rolling Stones e The Beatle faziam o povo pensar.
Aqui no Brasil Caetano Veloso adere ao contexto em 1969 faz uma musica chamada proibido proibir, e nós por aqui estava sob o signo de um ditadura, civil, militar e burguesa. Em que essa musica também apresentada no Maracanã tem acoplado um discurso de Caetano. E por fim Caetano e Gilberto Gil acaba tendo de sair do Brasil e seguiram para Londres.
Mas retomando ao contexto na qual sua luta estava inserida, o movimento pelos direitos civis dos black estadunidense, apresentava-se duas vertentes, a) Uma luta com revolta bastante separatista, principalmente em Watts ou de Detroid.
b)E o movimento integracionista de Martins Luther King, que utilizava o discurso religioso. Só para lembrar "Eu tive um sonho".
E Angela Davis com seu black power, tinha as duas alternativa em que ela não se enquadrava em nenhuma ou seja no seu perfil ideológico. E ela que iniciou a sua luta desde aos seus doze anos, viu boicotes dos ônibus que praticava segregação racial. Cresceu foi estudar no Liceu Lihte Red School house até entrar na universidade San Diego da Califórnia, e teve que enfrentar situações até certo ponto delicada com outros negros, que dizia sobre o pensamento branco e o pensamento negro. Que inclusive dizia que Karl Marx, apresentava uma doutrina de um homem branco. E fala que sempre surge no nosso meio e só para trazer um exemplo.
E a fala que já contaminou o debate no Brasil também, basta lembrar que em 14 de outubro de 2014, quando na Universidade Federal do Rio de Janeiro, uma Conferência, em que o camarada Mauro Iasi, que é professor da instituição foi participar de um debate que tinha como tema " Marxismo Pan Africanismo, Racismo e Movimentos Sociais" debate esse que teve a presença do Sr. Carlos Moore, bastante conhecido de todo o movimento negro, e um anti-marxista, que inclusive bastante afinado com o pensamento de Jonas Savimbi de Angola, que para quem não sabe ou não lembra era o principal líder da Unita-União pela Independência Total de Angola, porém era patrocinado pelo imperialismo estadunidense e britânico e sobre isto e sobre isto ainda guardo comigo a Carta da Agencia Angola Press recebida em 11 de fevereiro de 1988, sobre maiores os detalhes e informações sobre o perfil deste senhor. E que na minha opinião dificultou e muito a Paz em Angola, por certo tempo.
E nesta conferencia o camarada Mauro Iasi, foi bastante hostilizado e xingado dizendo que ele defendia Karl Marx que era branco e com pensamento branco, e acabou inclusive sendo destratado em público e tudo teve início quando ele citou o presidente americano Barack Obama, numa de suas crítica ao sistema capitalista. O Sr. Carlos Moore defendeu Obama dizendo que aquele presidente foi um avanço para a comunidade negra e a sua fala foi acompanhada pelo coro por algumas feminista que passaram a hostilizar o professor Iasi. Necessitando a intervenção do mediador do debate que confirmou que na gestão de Barack Obama o capitalismo matou e continua matando milhares de vítima todos os dias. E também foi hostilizado, xingado e o debate virou agressão.
Esse episódio reflete bem o que faz o imperialismo num país carente de políticas públicas como nosso, em que todos precisa segurar numa esperança e esquece a real causa da luta e fica perdido em debates secundários como a cor das pessoas. Recordo que o Movimento Negro Socialista - MNS, que inclusive também tem o Movimento mulheres pelo Socialismo no PSOL, foi solidário ao camarada Mauro Iasi. Porém isto é para intermediar a nossa conversa explicitar nossa posição.
E a intermediação aqui é para dizer com todas as evidencias de que a Angela Davis, creio que ela encontrou inicialmente no marxismo a sua orientação precisa necessária para a sua luta política. Com isto é entendemos também a lógica poética do canto de Mike Jagger e Keith Richard quando ele canta por um anjo negro doce, Ou como estabelece Yoko e Lennon quando chama-a de imã dizendo você é a professora do Povo. E isto me faz recordar o texto de Pierre Macherey, que afirma que o artista é um criador que se coloca na dependência duma ideologia humanista e o ser humano por sua ideologia possui os seus pretensos poderes tonando assim o criador de suas normas de suas leis da sua própria ordem.
Manoel Messias Pereira
professor de história, cronista e poeta
São José do Rio Preto -SP. Brasil

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