Há treze anos que segue ausente fisicamente o camarada António Roberto Vasconcelos, o velho Vasco, nascido no Rio de Janeiro no dia 20 de setembro de 1916, vindo a falecer na cidade de São José do Rio Preto no dia 31 de dezembro de de 2009.
As vezes me dá vontade de ir até ao Centro Cultura que leva o seu nome para contemplar o trabalho de artes plásticas na qual tem o desenho de seu rosto. A importância deste comunista, é que o centro cultural não foi feito por nós comunistas, mas por seres humanos de outros partidos como o PT e o PSOL. E lá hoje funciona, como uma casa de teatro, bar cultural, saraus poéticos, formação de blocos carnavalescos, e um espaço de debates.
A história de António Roberto Vasconcelos marcou a cidade de São José do Rio Preto e assim como o Brasil e segundo o historiador Clayton Romano do PCB(MG), descreve a vida do Vasco visualizando mais de nove décadas na luta por uma sociedade justa e igualitária.
Cleyton Romano recorda que em 1935 nos Levantes ocorridos em alguns quarteis, liderados por Luís Carlos Prestes, tivemos o governo varguista impondo severas punições para os comunistas em todo o país. E a situação agravou-se com o Estado Novo (de 1937 a 1945) e o camarada Vasco não ficou isento destas espetadas da repressão aos comunistas. Em 7 de maio de 1947 o partido sai da ilegalidade, porém o Tribunal Superior Eleitoral, impõe - o na ilegalidade.
António Roberto Vasconcelos redigia e editava o jornal "O Democrata " no estado do Mato Grosso quando teve a sua prisão decretada pela Justiça da Comarca do Mato Grosso e em 27 de outubro de 1965 por força do Ato Institucional n.2 o AI-2, teve os seus direitos políticos cassados por dez anos. Em 1963 o Vasconcelos esteve na União das Republicas Socialistas Soviética - URSS e participou de aulas sobre marxismo na Universidade Patrice Lumumba.
Com o golpe de 1964, o camarada refugiou-se na cidade de Hospeda no Paraguai onde foi trabalhar como padeiro. e em setembro de 1964 como oriunda das fileiras do Exercito foi proibido de entrarem quarteis e repartições da 9a. Região Militar. E de acordo com a Abin foi indiciado pela Policia Militar por ser considerado líder comunista e por ter posto em funcionamento um partido dissolvido. e foi enquadrado na Lei 1803/53- Lei de Segurança Nacional.
Em1967foi residir em Santa Cruz de La Sierra na qual trabalhou também como padeiro e por orientação partidária saiu do Mato Grosso onde reuniu quase dois mil pais de santo para reivindicar respeito contra a intolerância religiosa. Veio inicialmente para a cidade de Bauru, depois Jales, encontrou lá o ex-deputado Roberto Rollemberg, por fim foi morar em Adolfo e Mendonça, onde seu filho foi vereador pelo MDB em1968.
Em São José do Rio Preto encontrou com Aloisio Nunes Ferreira Filho, a quem ele reconheceu por um discurso que tinha a linha do Partido. Chegou próximo e fez uma pergunta. Você é do Partidão? E Aloisio diz sim.
Embora saibamos que Aloisio foi o motorista de Carlos Marighella, sabemos que ele foi do PMDB e chegou a vice governador, foi da Casa Civil, chegou ao Senado pelo PSDB, chegou a ser Ministro da Justiça e depois Ministro do Exterior.
Enquanto isto o velho Vasco fundou o jornal Participação de 1981 a 1985 liderou a Campanha pela legalidade do PCB, o Movimento Popular Manoel Antunes.. E em 1985 recebeu um título Honorífico na cidade de Campo Grande -MS. Teve em São José do Rio Preto uma rua com o seu nome no bairro Caic.
Organizou o Partido, encontrou-nos, pessoas como o camarada que era da Valter de Lucca, o Vladi que era da UJC, hoje professor Valdemar, a dona Sunta, seu Natalício, a professora Lucia Galli, Paulo Cancela, o Arnaldo, o Dr. Liberato Caboclo, o professor Enjorras, a Lourdes a Lourdinha o Sr. Ordenio eu próprio Manoel Messias entre outros que vimos naquele camarada um ser de inspiração.
O primeiro contato que tive com Vasconcelos foi quando levei as crianças para escorregar e brincar numa praça central de São José do Rio Preto a noite. Coisa impossível de pensar nisto em 2022, pois era um local apropriado para que as famílias pudesse ter um lazer saudável com seus filhos. Quando ele passa e admirar o Thiago e a Thays meus benditos frutos, trocamos alguns cumprimentos e passamos a conversar rapidamente.
Quando do lançamento do Caderno Negro 9, na Biblioteca Fernando Costa, fiquei surpreso pois estavam comunistas e petistas no simples evento poético. Tive a felicidade de receber o Vasco em casa minha esposa fez um chá de hortelã e comemos bolinho de chuva. E nem sei se ele gostava disto. Mas foi assim que iniciamos conversando e teve inicio um curso de formação com um jovem chamado Moisés meu vizinho, cujo a mãe dele era do PT, uma negra muito bonita por sinal, que já deve ter falecido.
Ia sempre buscar a sua contribuição, e ele dizia contribuição ao partido é sempre um ato revolucionário é com isto que mantemos a chama da revolução. Eu estive outro dia com o enfermeiro que cuidou dele no hospital, pouco antes de morrer pois na verdade ele teve um tombo e acabou batendo a cabeça ao solo. E o que o enfermeiro disse é que ele sempre perguntava sobre a minha pessoa e queria saber sobre todos os acontecimentos políticos. E no dia 31 de dezembro de 2009, ele deixou o mundo físico, passando para outra dimensão, ou eternizando para que todos nós possamos com saudade dizer, "Camarada Vasco , presente, presente, presente agora e sempre.
Manoel Messias Pereira
professor e poeta
Membro do Coletivo Negro Minervino de Oliveira
São José do Rio Preto -SP. Brasil


.jpg)
Comentários
Postar um comentário