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Crônica - O preparo do Bolo - Manoel Messias Pereira

 


O preparo do Bolo


Hoje recordo, o dia 30 de março 1964, no ano do Golpe Civil, Militar e Burguês, implementado por uma série de Operações tramadas pelo Governo estadunidense e que contou com o apoio do nosso exército brasileiro. E eu que era apenas um garoto que estava num segundo anos da escola primária, E.E. Dr. Cenobelino de Barros Serra e na classe da professora dona Angélica Belo Scarpelli.  E sei que minha mãe tinha feito uma viagem com uma senhora que chamava dona  Durvalina ou Dezolina para a capital paulista e me disse se perguntar por mim nesses dias, diga que viajei a serviço, fique quieto, fui na escola, voltei alimentei normalmente, pois a minha avó dona Ana preparava a comida. Nestes dias teve o senhor Cury visitando a minha casa, disse para ela estava trabalhando e ele foi embora, apenas deixando um envelope, que ela recebeu assim que voltou da viagem. Junto comigo estava minhas irmãs menores e minha avó.

A preocupação de minha mãe era que nos dias que estava fora, arrebentou a tal "revolução de mentira ou golpe cego de 1964, e a minha preocupação era que morava com minha mãe e duas irmãs menores, que ainda não havia entrado na escola, e as informações que via com  os meninos, que tinham rádios, ou televisões eram que havia exercito nas ruas nos dia 1 de abril de 1964, e que jornalistas haviam sofridos represálias por seus textos nas redações de jornais. E neste dia no Jornal do Estado de São Paulo, na matéria de politica havia receitas de bolo.

Mas como toda ação tem seu tempo de preparação é como preparar um bolo antes de assar é preciso preparar a massa, por o fermento, a farinha o açúcar e somente depois vai ao forno, e acrescenta o corante. Pois bem é bom a gente lembrar que ocorreu neste dia 30 de março, no apagar das luzes do governo de João Goulart, o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, o principal articulador do golpe no seio militar, lançava o Manifesto onde expunha os objetivos dos militares principalmente dos Moderados, isto seja daqueles vinculados à Escola Superior de Guerra-ESG), que era "frustrar o plano comunista de conquista do poder e defender as instituições militares e restabelecer a ordem de modo que se pudessem executar as reformas legais".

Sobre as reformas legais, a permanência dos militares no poder e suas ações sobre a sociedade  civil, podíamos observar duas facções que se insurgiram para o novo poder, a chamada linha dura e a linha moderada.

Tanto os duros quanto a moderada falavam em combater o comunismo e a corrupção, bem como a imediata necessidade de o país recuperar a perdida credibilidade internacional. Contudo divergiam quanto ao conteúdo e a forma.

Os moderados como Castelo Branco, Ernesto Geisel, Golbery do Couto e Silva e outros que inicialmente  que defendiam a tese de que em curto prazo a corrupção e a subversão seriam debeladas, e o país voltaria a normalidade institucional e o poder voltaria para os civis. Já os linha duras como Costa e Silva, Garrastazu Médici e outros que pregavam o continuísmo militar. E historiador como Francisco de Assis, escreveu que  a vitória destes sobre os moderados lançou a nação aos porões da repressão e da tortura, cujo o símbolo maior foi o governo do Presidente Garrastazu Médici 1969 a 1974.

Porém o que sei oi de um golpe militar que enveredou no alvorecer do dia 1 de abril o dia Nacional da mentira e lógico eles fizeram um Revolução a caráter mentirosa. Com fechamento político o momento extrapolou a história em relação a ditadura de Getúlio Vargas, e o Exército deixou de ser o árbitro supremo da política nacional mas um membro efetivo da burocracia estatal e transformou no senhor absoluto, com capacidade de comando para intervir, juntamente com os militares das outras duas Forças armadas, Marinha e Aeronáutica nas funções compatíveis a cada um dos três poderes: Executivo, Judiciário e Legislativo, rompendo assim com a normalidade institucional.

O importante é lembrar que eu sempre tive algumas curiosidade, Humberto de Alencar Castelo Branco, o primeiro presidente militar moderado morreu num acidente de avião. Interessante que parece acidente fantasma, não tem o local, não se sabe qual foi o avião, para onde ia com quem ia. Eu tenho uma leve impressão que ele foi queimado pelo próprio exército. Quando recebi essa noticia foi na hora do almoço comia arroz feijão e batatinha frita só. Não existe nenhum trabalho de historiador nem mesmo da direita tratando deste assunto. Outro ponto é a morte de Costa e Silva diz ele foi vítima de uma trombose e recordo inclusive o dia que isto foi falado estava na Escola. Mas procurei na Revista o Cruzeiro, na Realidade, na Manchete e não encontrei nada sobre boletim médico tratamento ou coisa assim outro mistério. Não consegui nenhum trabalho histórico sobre isto.

Quanto a ideia do comunismo, se nós observarmos todos os presidente nenhum deles tinham orientação comunista, nenhum deles eram oriundo dos marcos da orientação socialista, de nenhuma internacional portanto o que tivemos foi uma propaganda anticomunista, implementada num contexto de guerra fria, executado pela Cia e Estados Unidos da América, no Brasil e em toda a América Latina.

Humberto Castelo Branco escreveu "Caminharemos para frente com a segurança de que o remédio para os malefícios da extrema esquerda não será o nascimento de uma direita reacionária, mas das reformas que se fizerem necessárias" Geralmente lembro de reforma é de casa velha, de maquiagem dos problemas que não resolvem nada. Político que fala muito em reforma acredito uma certeza que são pessoas que não presta, são seres inescrupulosos. E ele era uma cascateiro velhaco com aquele  papo.

Mas em 30 de abril de 1964 eu era apenas uma criança de oito anos, no segundo anos da Escola Estadual Dr. Cenobelino de Barro Serra aluno da professora Dona Angélica Bello Scarpelli, uma senhora de estatura pequena, que tinha uma casa branca próximo a escola e na frente da casa um conjunto de margaridas brancas. Ela sempre se vestia de branco. E sempre reclamava do meu calçado que estava cheio de poeira. Eu dava aquele sorriso leve de menino meigo mas bem malcriado e dizia lá no morro pelado não tem asfalto a senhora quer que eu venha voando? Eu não sou passarinho. Minha mãe nesta data viajou para São Paulo a trabalho com uma senhora que chamava Durvalina, ou Dezolina minha mãe era espírita talvez seja alguma coisa relacionada com o espiritismo. E vale ressaltar que ela estava grávida e dentro de alguns meses nasceu o meu irmão o Florêncio. Talvez. O que sei foi que na minha casa foi o Sr. Cury, mas que eu disse ela não estava foi trabalhar não sei aonde. Deixou um envelope entreguei a ela quando voltou mas  também ela  não disse nada sobre isto.

Como disse que toda  ação é como preparar um bolo, antes de assar é preciso reparar a massa, com água, leite , farinha fermento e somente depois levar ao forno. Se Castelo Branco preparou o golpe, tenho certeza que era o dia da Mentira e era tão mentira que ele chamou de Revolução. 

Enquanto isto o meu preparo foi de permanecer criança, na minha infância, no respeito a minha mãe a minha avó, a minha professora que talvez não entendia ainda o que era ser de um periferia, numa sociedade capitalista do interior de São Paulo mas que se via em Nova York. Coisa de sociedade provinciana. Mas ai a crônica é outra.


Manoel Messias Pereira

professor e poeta
São José do Rio Preto -SP. Brasil



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