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Crônica - Ludmila faz o Bem sem olhar a quem - Manoel Messias Pereira

 




Ludmila faz o bem sem olhar a quem


No dia 25 de setembro de 2021, aconteceu no Rio de Janeiro o assassinato do adolescente Samuel Vicente de 17 anos e seu padrasto William Vasconcelos da Silva de 38 anos. E o assassinato foi feito por agentes do Estado que deveria estar a serviço da segurança dos seres humanos, mas eram policiais pelo visto com desvios de conduta.

E a história começa com Samuel e sua namorada Camily da Silva, que estavas num festa, e começou a passar mal. Samuel liga para o seu padrasto para que possa socorrer a namorada até a Unidade de Pronto Atendimento de Ricardo Albuquerque. E os três foram num moto. Cujo o proprietário era o sr. William Vasconcelos.

Na volta os três ocupantes da moto, encontram os policiais, Leonardo Soares Carneiro e Edson de Almeida Santana, que segundo eles próprio d´7 tiros de fuzil, matam o jovem e eu padrasto e ainda erem Camily, e pelas narrativas fere uma outra pessoa, que não sabemos.

Para os policiais viram três indivíduos numa moto e segundo o policial para ele o rapaz tinha um fuzil, depois diz não ser um fuzil e sim outra arma. Mas por que apurou-se não havia arma alguma, apenas o olhar sanguinário dos assassinos que vestiam fardas.

Uma família que ficou destroçada. Samuel Vicente dezessete anos trabalhava como auxiliar de farmácia, nunca teve passagem pela policia, era estudante da Escola Cívica militar e o seu sonho era um dia ser um policial. Um sonho interrompido exatamente por dois outros policiais. É a presença macabra do Estado fazendo vítimas.

O corpo do jovem assim como de seu padrasto ficou no Instituto Médico Legal, e estava sendo adiado exatamente por que não tinha dinheiro para fazer o velório e ter um sepultamento humanizado e com todo o respeito que a família merece.

Esse assunto acabou indo para o noticiário da rede Globo. E o que ficou apontado de forma vergonhosa e criminosa foi a versão dos policiais, que não sustentaram a sua narrativa. E neste momento a cantora brasileira Ludmila, que ia jantar perdeu a fome. Sentiu-se a dor da família. E o desprezo já contumaz do Estado em relação aos seres negros. Ludmila diz que chorou, e tentou contato com a família do adolescente e seu adastro e resolveu ajudar. Pelo menos a organizar o velório.

A cantora Ludmila Oliveira Silva, surge para dar um atendimento a família, cujo o Estado com o seu serviço de Assistente Social, mostra-se falho. Até outro dia conhecia a cantora apenas como alguém que cantava, que tocava multi-instrumentos, que foi chamado a MC Beyoncé, e vista como a rainha da Favela. Ela que tem como companheira a Brunna Gonçalves.

A cantora desta forma mostra-se o respeito que se deve ter com os seres humanos na qual convivemos, e tenho certeza que el chorou pois sabe o valor, do Artigo III da Declaração Universal dos Direitos Humanos "Todo ser humano tem o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, mas os agentes do Estado foram incapazes de reconhecer isto, mataram e mentiram em seus depoimentos a ponto de entrar em contradição. E quando há mentiras há falta de caráter , há falta de ética, há falta de respeito e isto vindo do Estado brasileiro, já sabemos são violências que vão cristalizando-se e incorporando ao sistema capitalista quotidianamente.

A OAB Organização dos Advogados do Brasil contesta a versão dos policiais e provavelmente será preciso repensar os serviços públicos em relação à segurança.

Em relação a cantora, deixo aqui, os meus mais profundos sentimentos e também choro, como ela chorou, ela que é negra que foi criada por uma mãe e por uma avó e como ninguém a necessidade do amparar, do respeitar, do convergir de corrigir rumos. E desta maneira só posso dizer obrigado Ludmila.


Manoel Messias Pereira

professor, cronista, poeta

São José do Rio Preto -SP. Brasil



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