Refazendo o Caminho do Beijo
Num final de agosto de 2000 dois jovens foram expulsos de uma escola em Manaus na capital do Amazonas. E essa escola foi Escola Estadual Desembargador André Vidal de Araujo. E a alegação da expulsão foi um beijo entre ambos. E essa expulsão ganhou uma discussão no âmbito nacional. Os jovens identificados nos jornais apenas como RNM de 14 anos e JSS de 17 anos. Se houve o beijo ou não, a questão é que ambos disseram que não beijaram-se. E que reportaram ao jornal da época era que a relação era de amizade e não de amor. O que eles disseram foram que como amigos abraçaram. Porém a Escola enquanto instituição de ensino alegou isto como uma indisciplina, outros disseram que houve o toque dos lábios dos meninos e esse ato ofendeu toda a congregação de professores e alunos. O caso chegou ao ápice do diretor negar em seguida que os alunos tivesse sido expulso. E que sugeriu apenas para ambos deixarem a escola pegar uma transferência. A associação Amazonense de Gays, Lésbica e Travesti na época queria processar o diretor e a coordenadora da escola.
Quando observamos a história vemos que no período medieval uma pessoa masculina trocar os lábios de outra pessoa do mesmo sexo, principalmente entre os senhores nobres ou seja o vassalo e o suzerano era algo comum e o beijo significava respeito ou seja "eu dou minha palavra".
Já no Século XVII, os homens pararam com o hábito do beijo entre pessoas do mesmo sexo, sem afeto envolvido.
Porém quando observamos o que dizem os antropólogos como Dra. Ednalva Maciel ela revela que o beijo pode ser considerado como algo comum em várias sociedades. Como um todo é visto como demonstração de afeto, cumprimento ou saudação, está dentro das relações pessoais e interpessoais.
Recordo de beijos famosos como entre os líderes comunista Leonid Brezhnev da União Soviética e Erick Honecker, da Alemanha Oriental, ambos países que já deixaram de existir enquanto Estado. Esse beijo tatuou a nossa memória e foi pintado na galeria do Muro de Berlim do lado Oriental, em 1990, porém foi restaurado em junho de 2009. é uma obra prima e o beijo é lindo e demonstra uma plastica em termos de pintura, E essa restauração coube ao artista Dmitry Vrubel que refez a pintura do beijo.
Em 2011 Uma campanha lançada pela United Colors of Benetton numa campanha contra a cultura do ódio, mas que infelizmente tomou o Brasil. A campanha mostra Barak Obama beijando o líder chinês Hu Jintaio, ou Barack Obama num suposto beijo ao ex-presidente da Venezuela Hugo Chaves (falecido), assim como o papa Bento XVI bejia Mohamed el Tayeb, ou o beijo de Ângela Merkel e do ex- presidente francês Nicolas Sarkozy.
Todos esses exemplos são de seres humanos masculinos já no caso de Angela Merkel é o único caso de um mulher sem a afetividade, mas beijando tecnicamente encostando os lábios na outra pessoa, num profundo respeito. Outros beijos já surgiram, e todos demonstram uma sessão de carinho e consideração.
Um dia eu escrevi um simples poema baseado no beijo, sem nunca ter em mente a agressividade, e a lógica do ódio.
a patologia da violência
como ordem aplicada
o remédio talvez seja
a etiqueta e a ética
na conformidade
do mal exposto
na sociedade
e na feira ideológica
do mercado.
É preciso aumentar
significativamente
a teatralidade de amar
e rapidamente
estabelecer na história
da humanidade,
o beijo, como sinal feliz.
e não mais
como traição.
Porem pode ser que o beijo dado o não na escola, tenha causado mais problemas do que todos os beijos históricos que tenham sido realizados no mundo. O que sei é que na época os educadores xingaram o aluno que não mereciam ser agredido, mas a situação se torna dramática, por que todos tem em mente o beijo de Judas em Cristo como traição ou o beijo erótico de uma vizinha ou de um vizinho que ninguém sabe quem é ou de onde mora, como outro complicador de fatos. Mas ai a história passa por outros capítulos que difere e precisa outro momento para refletir sobre o ato de afeto.
Manoel Messias Pereira
professor, cronista e poeta
São José do Rio Preto- SP. Brasil

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